terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Compulsão alimentar: Porque descontamos nossas emoções na comida?

Nutricionista fala sobre compulsão alimentar e como podemos contornar esse problema com alimentação e acompanhamento adequados

Raiva, tristeza, frustração e alegria são alguns dos sentimentos comuns ao nosso dia a dia. O problema aqui está justamente em como aliviamos essas sensações. Para se ter uma ideia, dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), mostram o Brasil em primeiro lugar quando o assunto é Transtorno da Compulsão alimentar (TCA), atingindo 4,7% da população, o que significa quase o dobro da média mundial que é 2,6%.

Segundo Aline Quissak, nutricionista e pesquisadora, a compulsão alimentar é a vontade descontrolada que temos de comer: “Mesmo quando já está satisfeito, mesmo quando não cabe mais no estômago, a pessoa continua comendo.  E esses alimentos, na maioria das vezes, são alimentos ricos em açúcar e gordura; mas podem ser também variados. Ou seja, a pessoa come tudo que está à disposição e em volumes muito grandes. A compulsão até pode iniciar com a ideia de comer por prazer, mas durante o processo a pessoa não está mais no controle do seu apetite; ela come e não pára, até passar mal ou até acabar a comida que está exposta na sua frente”, esclarece.

Essa compulsão é desencadeada por deficiência hormonal de Leptina – hormônio da saciedade -, CCK e Grelina. Ou seja, mesmo após comer a quantidade suficiente para o nosso organismo, nós continuamos comendo. “A desregulação hormonal é uma consequência. Mas a principal causa são as dietas restritivas a longo prazo. A longo prazo essas dietas "da moda" fazem o paciente privar-se de alimentos sem substituir os maus hábitos. Isso gera uma inflamação no corpo, já que não somos feitos só de calorias e sim de vitaminas, minerais, antioxidantes e vários outros elementos que estão presentes nos alimentos. Sem eles, a deficiência pode causar não só compulsão alimentar como problemas de coração (AVC e trombose), diabetes e transtornos alimentares”, explica.

Outro problema comum é descontarmos nossas emoções na comida. De acordo com a nutricionista, isso acontece porque temos uma relação emocional com a comida. Todos temos um prato especial, que remete a alguma coisa boa. Quando estamos estressados, tristes, ansiosos, acabamos comendo esses alimentos em busca do prazer. Buscamos alimentos que nos trazem bons sentimentos. O problema não é comer o que nos faz sentir bem, mesmo quando o alimento não é saudável, e sim achar que comer vai resolver nossos problemas. Como não resolve, continuamos comendo para manter o nível de prazer, e depois sentimos culpa por termos exagerado, o que acaba desencadeando um ciclo vicioso.

“A culpa aumenta um hormônio inflamatório chamado cortisol, que quando elevado libera um outro hormônio chamado insulina. A insulina alta "pede" por carboidrato e traduz esse sinal no corpo como vontade de comer coisas com gasto de energia rápida: bolos, sorvetes, chocolates, salgadinhos, refrigerante, bala e etc. Depois de tantos estímulos inflamatórios e desconexos entre comida e vontade de sentir prazer, os hormônios da fome ficam "confusos" e acabam criando uma resistência, não sendo mais estimulados e liberados. A longo prazo eles ‘desligam’, e então comemos pelo prazer, sem conseguir parar, pois não temos mais a ativação dos hormônios de saciedade”, avalia a especialista.

Mas como controlar esses sentimentos e melhorar a alimentação? A primeira coisa é não deixar o corpo perceber que tem comida a disposição. Uma pessoa com compulsão não consegue ver um bolo e comer apenas uma fatia dele. Faça forminhas de cupcake e congele, ou já cozinhe em porções pequenas, como um bolo de caneca, por exemplo. Não deixar a comida na mesa - sirva-se no fogão e coma na mesa - , para os olhos não ficarem estimulados e você acabar repetindo. Sempre cozinhe apenas o suficiente para o número de pessoas da casa, assim você evita não só a tentação, como o desperdício.

Coma alimentos saudáveis, considerados anti-inflamatórios, pois eles vão ajudar a diminuir o cortisol (hormônio do estresse que aumenta a vontade de carboidrato). Evite alimentos industrializados e gordurosos, ricos em açúcar refinado, pois estes vão aumentar o cortisol e ainda vão estar à disposição quando a compulsão atacar. Coma de forma fracionada, ao longo do dia, para não ficar com fome e comer grandes volumes nas refeições principais. Se estiver estressado, ansioso, triste, tente respirar fundo e fazer algo que não envolva comida. “Faça uma massagem, dê uma volta no quarteirão, converse com um amigo/familiar, mas não saia para comer ou não passe no supermercado para comprar comida. Nesta hora você não fará escolhas inteligentes pois estará sendo controlado pelos seus hormônios”, complementa Aline.

Para finalizar, a nutricionista lembra da importância de procurar uma equipe multidisciplinar. Médicos especializados que vão te ajudar a resolver o problema com calma, visando a saúde. É importante ter o acompanhamento de um psicólogo, para te ajudar na sua relação emocional com a comida; um psiquiatra para avaliar se você precisa de um medicamento ou não; e de um nutricionista, que vai te ajudar a escolher os alimentos certos, para aliar à prática regular de atividades físicas.

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