terça-feira, 13 de junho de 2017

Política: Fábrica no Paraná pode ameaçar Hemobrás em Goiana, avalia Priscila Krause

A proposta de construção de uma fábrica de hemoderivados em Maringá, no Paraná, gerou críticas da deputada Priscila Krause (DEM), na Reunião Plenária desta segunda (12). Segundo a parlamentar, a iniciativa pode ameaçar a política de descentralização do setor que levou à instalação da Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás) em Pernambuco.

Segundo notícia citada pela deputada, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, negocia a criação de um consórcio entre os Institutos Butantã (SP) e de Tecnologia do Paraná (Tecpar) com a Hemobrás e a empresa suíça Octapharma. Conforme a proposta, o laboratório suíço investiria R$ 500 milhões para criar uma nova fábrica em Maringá e finalizar obras atuais do Butantã e da Hemobrás. Em contrapartida, o consórcio teria o monopólio do comércio de hemoderivados até a transferência da tecnologia.

“Além do uso descarado de recursos públicos para uma conveniência política local, a proposta representa o desmonte de uma política de vários governos, ao longo de muitos anos”, criticou Priscila Krause.

De acordo com a reportagem, a intenção do ministro seria concentrar no Paraná a fabricação de um tipo de hemoderivado mais moderno e rentável, deixando outros produtos para as fábricas de São Paulo e de Pernambuco. “O Ministério Público de Pernambuco, junto ao Tribunal de Contas da União (TCU),  está pedindo explicações ao ministro sobre essa questão”, destacou a parlamentar.

A deputada registrou já haver tratado do assunto em março deste ano, quando pediu uma audiência pública para discutir o tema. “Mais uma vez, lembro que Pernambuco foi para a vanguarda do País na política de hemoderivados, há 40 anos, quando foi criado o Hemope. A fábrica em Goiana é parte de uma estratégia de descentralização do desenvolvimento”, declarou.

Em apartes, Teresa Leitão (PT) e Romário Dias (PSD) apoiaram a manifestação de Priscila Krause. “Não é a primeira vez que o ministro da Saúde toma atitudes inadequadas ao cargo que ocupa. Agora, ele coloca o ministério para servir seu município e ainda interrompe o processo de fortalecimento da Hemobrás”, ressaltou Teresa Leitão.

“Apesar da localização perfeita e do grande investimento já realizado, a Hemobrás em Pernambuco ainda precisa enviar seus produtos para a França. Precisamos levar esse assunto até o fim para fazer a fábrica funcionar como deveria”, observou Dias.

Funase – Priscila Krause também repercutiu em seu discurso uma nota divulgada pelo Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), na última quinta (8), pedindo o fechamento imediato da unidade da Fundação de Atendimento Socioeducativo (Funase) em Abreu e Lima.

“Segundo um acordo feito com o Ministério Público, em 2012, unidades como a de Abreu e Lima deveriam ser desativadas. Mas o que vemos é a situação se agravar, sem que o Governo do Estado tome uma medida definitiva”, desaprovou a parlamentar, anunciando que levará a questão à Comissão de Cidadania da Alepe.

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