quarta-feira, 21 de junho de 2017

Artes Cênicas: Oficinas gratuitas sobre o Teatro do Oprimido chegam ao município de Goiana

Com incentivo do Funcultura, curso oferece capacitação e formação na técnica teatral e de formação cidadã em nove cidades de Pernambuco

Criado pelo dramaturgo brasileiro Augusto Boal (1931-2009) na década de 1970, o Teatro do Oprimido tem como metodologia didática a utilização da arte como dispositivo de transformação da realidade. Acredita-se que através do fazer artístico é possível estimular a participação popular na discussão dos problemas políticos e sociais. É com este pensamento que o Núcleo de Experimentações em Teatro do Oprimido (NEXTO) promove o projeto Descobrindo a Estética do Oprimido – Ano II, que tem levado a diversas cidades de Pernambuco oficinas de formação e capacitação gratuitas sobre a Estética do Oprimido e voltadas para profissionais de escolas públicas e graduandos que atuam no campo da pedagogia.

A próxima parada deste projeto será no município de Goiana, entre os dias 28 e 30 de junho, no Sesc da cidade, e as inscrições devem ser feitas através do e-mail contatonexto@gmail.com, solicitando a entrada no curso. O único requisito é que os interessados precisam ter 18 anos ou mais.
Descobrindo a Estética do Oprimido – Ano II teve início em outubro de 2016 dentro da programação do II Festival Cultural Risadinha, em Camaragibe. Em 2017, já foi realizado em Recife e Limoeiro. Outras cidades ainda serão contempladas, como Camaragibe, Jaboatão dos Guararapes, Caruaru, Garanhuns, Palmares e Tamandaré. O projeto conta com incentivo do Governo de Pernambuco, através do Funcultura, e do Fundo Nacional de Cultura – Funarte, através do Ministério da Cultura (MinC).

De acordo com o ator Wagner Montenegro, por tratar-se de um grande complexo de técnicas teatrais que une diversas linguagens artísticas e consciência cidadã, o método se provou uma eficiente ferramenta de democratização artística ao oferecer às pessoas o direito de fazer arte. “Ele valoriza os saberes, os conhecimentos e as experiências dos indivíduos no cotidiano das comunidades em suas esferas político-sociais, fortalece a vivência coletiva, as formas de expressões artísticas das comunidades e cria, nos sujeitos, o sentimento de autoestima e pertencimento no mundo em que vivem, o que contribui para a resolução dos problemas individuais e coletivos”, explica ele.
O curso será ministrado pelos arte-educadores Andréa Veruska e Wagner Montenegro, formados pelo Centro de Teatro do Oprimido do Rio de Janeiro (CTO-Rio) e fundadores do NEXTO. Ao todo serão oferecidas 270 horas-aula de carga horária, com cada cidade recebendo um curso de 30 horas-aula. Os encontros contarão ainda com intérpretes de libras para que pessoas surdas possam ter acesso a esta formação.  “A ideia é oferecer formação artística, cultural e profissional em locais que têm difícil acesso às oficinas e cursos de formação em Teatro do Oprimido”, comenta Wagner Montenegro

A técnica da Estética do Oprimido foi escolhida porque se fundamenta na premissa de que “somos todos melhores do que pensamos ser, capazes de fazer mais do que realizamos: todo ser humano é expansivo”, segundo o pensador Augusto Boal. Ainda pouco explorada, o Teatro do Oprimido (TO) busca assegurar à população o pleno exercício dos seus direitos, de forma a garantir o acesso a fontes culturais e a apropriação dos meios de produção de cultura, permitindo ao cidadão comum a sua livre expressão estética e ampliação da capacidade crítica.

Serviço
Descobrindo a Estética do Oprimido – Ano II
28 a 30 de junho
Sesc Goiana (centro da cidade)
Gratuito | Inscrições pelo e-mail contatonexto@gmail.com

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