segunda-feira, 16 de março de 2015

Aedes aegypti: Clima instável e crise hídrica aumentam incidência da dengue em Pernambuco

Chove. Faz sol. Tempo úmido. Calor. As instabilidades climáticas no Nordeste brasileiro anunciam que o inverno está se aproximando. Os dias chuvosos são um prato cheio para a proliferação do mosquito Aedes aegypti – vetor da dengue e da chikungunya -, uma vez que é muito mais complicado evitar o acúmulo de água parada em lajes e lugares que concentrem entulhos, como quintais, ferros velhos, etc. Em 2014, o número de casos da doença foi 840% maior do que em 2013 e para este ano a preocupação é maior.

Um balanço sobre a dengue no Brasil, feito pelo Ministério da Saúde e divulgado nesta sexta-feira (13), aponta que de janeiro até o dia 7 deste mês houve um crescimento de 162% em relação ao ano anterior. O ministro da Saúde, Arthur Chioro, considerou expressivo o aumento e apontou as condições climáticas, e até a crise hídrica, como fatores de influencia no cenário da dengue no País, já que cresceu a tendência de armazenamento de água nas regiões Sudeste, Sul e Norte.
Em Pernambuco, no entanto, falhas no sistema de distribuição fazem com que uma grande parte da população mantenha o “tradicional” hábito de armazenar água em tonéis e baldes. A dona de casa Severina Francisca de Mendonça, 27 anos, conta que na sua casa, pelo menos duas pessoas já foram contaminadas pelo vírus da dengue. “Minha mãe e minha irmã já pegaram mais de uma vez. A gente aqui em casa faz tudo pra não deixar criar foco do mosquito, mas ainda tem muita gente ficando doente”, explicou ela que reside no bairro do Vasco da Gama, na Zona Norte do Recife, onde armazenar água é muito comum.

Com abastecimento precário, as casas passam por rodízios de um dia com água e cinco sem o líquido chegar às torneiras. A região é a localidade onde a Secretaria de Saúde do Recife registra o maior número da doença. Uma das “vítimas” da equação da dengue no Recife (desabastecimento + armazenamento inadequado de água) foi o mecânico Alexsandro Pereira, 28. “Na minha casa eu só tenho uma caixa d'água, mas os vizinhos têm muitos tonéis, nem todo mundo toma os cuidados certos, aí fica meio complicado controlar”, avaliou ele que chegou a ficar 15 dias afastado do trabalho no início deste ano.

Somente em Pernambuco, até o dia 28 de fevereiro, a Secretaria de Saúde do Estado notificou 4.381 casos de dengue, sendo 609 confirmados. Esse número representa um aumento de 147,79% em relação ao mesmo período de 2014. Os casos estão distribuídos em 123 municípios, no entanto, as cidades com o maior número de casos notificados são: Recife (1.864), Jaboatão dos Guararapes (295), Camaragibe (174) e Petrolina (171). Já os municípios mais incidentes (número de casos por 100 mil habitantes), são: Custódia e Inajá, com alta incidência; Ibimirim, Sertânia, Pedra, Chã de Alegria, Surubim, São José do Egito, Frei Miguelinho e Goiana, com média incidência.

MORTES – De acordo com a Secretaria de Saúde de Pernambuco, foram notificados 11 casos de dengue grave, com 8 confirmações. No mesmo período de 2014 foram 12 confirmações. Cinco óbitos suspeitos foram registrados, estando os mesmos em investigação. No mesmo período de 2014 houve a notificação de 15 óbitos suspeitos, sendo 12 confirmados.

NE10

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