quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Economia: Estudo aponta desafio com instalação de polo automotivo de Goiana

Previsão é de crescimento de R$ 2,1 bilhões na massa salarial, até 2020. Diagnóstico analisou dez cidades que sofrem reflexos do polo.

A instalação do polo automotivo, com a fábrica da Fiat, em Goiana, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, traz benefícios, mas também desafios para os próximos anos. A expectativa é de que a massa salarial, ou seja, a soma do que é gerado com pagamento de salários, cresça R$ 2,1 bilhões até 2020. O desafio é estar preparado para absorver localmente essa renda e também prover a infraestrutura necessária localmente com a previsão de crescimento populacional. O diagnóstico foi apresentado nesta terça-feira (28) pelo secretário de Desenvolvimento Econômico do estado, Márcio Stefanni. Um estudo analisou e fez projeções para nove cidades, além de Goiana: Itapissuma e Igarassu, principais afetadas após a cidade-sede da fábrica; além de Abreu e Lima, Araçoiaba, Condado, Itamaracá, Itambé, Itaquitinga e Paulista, mais afastadas.

A tendência, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), era de que a população de Goiana, por exemplo, crescesse de 75,64 mil pessoas para 80,56 mil, até 2020. O estudo aponta que, devido à instalação do polo automotivo, a população provavelmente chegue a 88,56 mil, em 2020. Nas dez cidades, a previsão é de que a população cresça de 711,74 mil pessoas (2010) para 814,49 mil pessoas em 2020. Devem ser criados, até 2020, 47.528 vagas de emprego, direta e indiretamente.

A projeção prevê ainda que, com a instalação do polo automotivo, o Produto Interno Bruto (PIB) de Pernambuco em 2020 seja 6,5% maior do que seria sem o polo. “A participação da indústria de transformação no PIB também vai crescer, chegando a pouco mais de 12% em 2020. O que existia de salário naquela região, que era de R$ 347 milhões, deve dar um salto para R$ 2,1 bilhões”, aponta o secretário. O total de investimentos previstos até 2018 pelo polo e também fornecedores é de R$ 9,6 bilhões.

O crescimento populacional, acompanhado da projeção de crescimento da massa salarial e também do PIB estadual e arrecadação municipal, traz o desafio de onde investir para minimizar efeitos negativos, como o aumento da violência. “Também cabe aos municípios projetar. O efeito não é hoje, temos que pensar daqui a alguns anos, onde vai ser preciso ter escola, onde nós deveremos ter hospital ou qualificar melhor nossos postos de saúde”, destaca Stefanni.

O estudo mostra ainda um grande número de trabalhadores informais, especialmente nos três municípios influenciados diretamente pela implantação do polo, com 42,9% do total sem contribuir com a previdência social. Além disso, 54% da população dessas cidades, em 2010, ganhava até um salário mínimo.

No atual quadro, os municípios apresentam uma grande dependência dos recursos repassados pelos governos federal e estadual. Com as fábricas em pleno funcionamento, a expectativa é de que os municípios passem a arrecadar mais - sendo essa uma fonte que prefeitos podem contar para projetar as obras e adequações necessárias.

“Embora estejam melhorando, 85% das receitas de Igarassu, Goiana e Itapissuma vêm de transferências intragovernamentais, há uma dependência muito grande desses municípios. Mas [a arrecadação] do ISS em Goiana vem crescendo e isso pode ser usado para atender novas demandas do fluxo migratório que nós teremos”, avalia o secretário.

Além do desafio da estrutura, há o desafio do empreendedorismo. “Temos que transformar PIB em renda, esse salário vai estar circulando na economia, é preciso que creches, escolas, salões de belezas e shoppings se instalem ali e criem o círculo 'virtuoso'. É um desafio aos pernambucanos que nos preparemos para capturar essa renda em Pernambuco. Se ele ganha o salário aqui e gasta em São Paulo, os benefícios ficam em São Paulo. Nós temos que criar uma rede aqui para atender”, finaliza Stefanni.

G1

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