segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Política: Confira a entrevista que o governador eleito de Pernambuco concedeu à Folha

Entre outras coisas, Câmara ressaltou que “vai seguir a cartilha implantada por Campos”

Na próxima quinta-feira (1º), o socialista Paulo Câmara será empossado governador de Pernambuco. Afilhado político do ex-governador Eduardo Campos, morto em acidente aéreo em agosto deste ano, Paulo declarou que fará um governo de “continuidade”, mas com “compromissos novos” e do seu jeito. Paulo afirma ter um estilo próprio de governar, mas diz também estar aberto ao diálogo. Para 2015, o socialista prevê um cenário difícil e avalia que será um ano difícil, de instabilidade e incerteza. Ex-aliado da presidente Dilma Rousseff, o socialista avisa que cobrará atenção do Governo Federal ao estado de Pernambuco. E aos que não rezarem na sua cartilha, ele deixa um recado: “Quem não me tratar como governador a gente vai ter que fazer as alterações necessárias”.

Quando o senhor foi escolhido para ser candidato, Eduardo Campos estava vivo e se apontava muito que seria um norte. O senhor seria governador, mas teria Eduardo para dar as orientações. Qual a falta que Eduardo poderá fazer no governo Paulo Câmara?

A falta faz, não é? Você não pode dizer que ter por perto uma pessoa como Eduardo não seria melhor. Mas a gente sabe também, e aprendeu muito com ele, o que é que tem que ser feito, quais são as prioridades, qual é a forma de governar que a população quer que a gente faça. Eu vou seguir a cartilha que Eduardo implantou no Estado e vou aperfeiçoar aquilo que a gente acha que pode melhorar. A dinâmica é muito grande, quando nós analisamos o que acontecia no Estado em 2007 e o que acontece hoje a realidade é outra, principalmente econômica. O Estado cresceu muito mais. Hoje, a população começa a dizer que quer um desenvolvimento econômico, mas também quer que o desenvolvimento social ande na mesma rapidez. Por isso que a gente desmembrou a pasta de Desenvolvimento Social, para cuidar só do desenvolvimento social. Na área de saúde as pessoas querem novas unidades, mas também mais humanização. Querem reduzir homicídios, mas também que se ataque as outras frentes. Quer que a Educação atinja, em todas escolas, o patamar que se atingiu em algumas escolas. Então, a mudança de cultura é outra. A gente tem que continuar a atender os anseios da população. Por isso, é tão importante estar viajando, estar estudando. Eu vou ser um governador muito presente nas ruas, porque isso faz uma diferença muito grande quando você está escutando, dialogando, porque a gente quer realmente ter condições de atender as demandas com celeridade e segurança.

Como o senhor encara a cobrança de um Paulo Câmara político?

Estou aberto a ouvir as pessoas. Eu tenho meu estilo. Não vou mudar, não tem como mudar. Na campanha, diziam que eu tinha que fazer isso e aquilo. Eu fiz da minha maneira, ninguém pode dizer que eu mudei. Ninguém pode dizer que não fui o que eu sou ou o que era. É uma forma diferente de governar e tratar. Mas respeito muito a classe política, vou continuar ouvindo, governando e fazendo com que isso seja um aprendizado para todos.

Isso se reflete no seu secretariado que dizem que é excessivamente político?

Não acho excessivamente político. São pessoas que podem dar conta do recado, escalar equipes e têm dimensão política para representar as pastas dando resultados mais rápidos. São pessoas experimentadas que conhecem a forma que a gente governa. Eles vão oferecer projetos e resultados mais rápidos.

O senhor vê possibilidade de racha no seu partido após as insatisfações externadas por Fernando Bezerra Coelho e João Lyra?

A posição de João Lyra não é nova. Todos que acompanharam o processo de fevereiro do ano passado sabem, claramente, que ele já tinha externado seu desconforto. Não é uma posição nova. Agora, em relação a Fernando sim, tive a oportunidade de conversar com ele durante o processo de escolha do secretariado. Realmente foi um processo intenso de muitas variações que eu tinha colocado no momento do secretariado ter feito as escolhas. Mas eu fiz questão de ligar para ele após o anúncio do secretariado. Vamos bater um papo e conversar pessoalmente, vendo os encaminhamentos que vamos dar. Minha intenção é de unir o partido, de reconstrução e reduzindo os ruídos que podem acontecer. Vou sempre procurar as pessoas e me colocar à disposição.

Evandro Avelar foi uma escolha sua ou para fechar o acordo como PSDB?

O PSDB tem quadros e a gente sabia que, desses quadros, alguns teriam capacidade de exercer a função. Evandro é um desses quadros que vai cumprir bem a missão dele. Apesar da demora na deliberação dele, é um quadro que saiu com o aval de todos.

Mas precisou do aval de Aécio Neves?

Isso é um assunto deles. Não cabe a mim essas discussões. O que cabe a mim é chegar com um partido indicando um nome que representasse todas as alas e atende o perfil necessário para a pasta.

A deputada Terezinha Nunes teria ficado chateada porque não foi secretária.

Eu desconheço esses detalhes. Não conversei com ela após isso.

Esse apelo do senador Aécio Neves teria agido para garantir a aliança nacional do PSB com PSDB. Seu governo está sendo usado para garantir essa aliança?

Não. O PSB tem posição clara de independência ao Governo Dilma. É diferente do PSDB que se declarou oposição. Temos uma candidatura à presidência da Câmara dos Deputados e o PSDB está apoiando o candidato do nosso partido. Agora, tivemos um papel no segundo turno quando apoiamos Aécio. Ele viu bem a contribuição que pudemos dar. Então, acho que isso pesou na decisão do PSDB de fazer parte do nosso governo. Mas isso não interfere em nada na nossa forma de governar e nosso futuro. Temos uma trajetória de fortalecimento e reformulação porque perdemos nosso líder, mas queremos ter um candidato próprio em 2018 que possa levar nossas ideias para o Brasil.

O prefeito Elias Gomes disse que a votação do PSDB no segundo turno ficou aquém do que o PSB disse que tinha.

O PSB tinha uma candidatura no primeiro turno. A votação dela foi a maior no Estado. O PSDB tinha um candidato, Aécio Neves, que teve menor votação do Brasil. Ele teve, no segundo turno, uma votação dentro das possibilidades do segundo turno. Acima da média do Nordeste. Todo o esforço foi feito. Você pode perguntar a qualquer membro do PSDB, inclusive a Aécio Neves, o esforço e apoio que ele teve do PSB de Pernambuco e do Brasil. Pode ter certeza que ele ficou muito satisfeito com a votação que ele teve. Dado a situação dele.

O eleitor teve dificuldade de associar o PSB ao PSDB já que o partido do senhor é historicamente ligado ao PT?

É uma avaliação que pode ser feita. O pernambucano é politizado, tem suas característica próprias. Aécio Neves não teve campanha no primeiro turno aqui. Você mal via fotografia dele por aí. É uma mudança muito grande no segundo turno você achar que todos os votos no 40 iam para o 45. Não é uma transferência simples. Precisaria de todo um trabalho de mostrar exatamente quais eram as semelhanças. Não teve tempo.

Como o senhor viu as especulações de tentativa de golpe após a morte de Eduardo Campos para tirar sua candidatura e colocar a de João Lyra?

Isso foi noticiado na época. Eu não estava com a menor cabeça para isso naquele momento. Eu fui o candidato chancelado por Eduardo e 21 partidos. Só uma pessoa poderia mudar minha candidatura que era eu mesmo. Não havia a menor possibilidade disso ser feito. Então, aquilo saiu e não dei a menor importância. Zero importância dei a esse fato.

Isso se refletiu nas escolhas do seu secretariado?

De maneira nenhuma.

Teme uma disputa de egos no PSB pela falta da liderança de Eduardo Campos?

Da minha parte não tem a menor chance disso ocorrer.

E de Geraldo Julio?

Também não. Ele será um grande parceiro. Conheço ele há mais de 20 anos e estou muito tranquilo. Vamos fazer parcerias que vão ser boas para Pernambuco e Recife.

Como o senhor avalia a versão de que fez um secretariado olhando para a reeleição de Geraldo Julio?

Fiz um secretariado olhando para 2018. Tanto que não tem candidato para 2016. Todos vão ficar até 2018. Estamos olhando para isso. Fizemos os arranjos políticos, conversamos muito com os partidos para indicar representantes para fazer bem esse papel. Agora, só discuto 2016 em 2016. E no meio de 2016. Até lá, vou trabalhar muito porque é isso que a população espera de mim.

Qual será seu primeiro ato administrativo?

Na segunda-feira da próxima semana, vamos definir uma agenda com todos os secretários que deve ser no Interior.

Dizem que, se Eduardo Campos estivesse vivo, Guilherme Uchoa perguntaria se poderia ser candidato à presidência da Assembleia Legislativa.

Eu tenho conversado muito com ele sobre isso. Tenho escutado e dado minhas opiniões. Não vou entrar no mérito se pode ou não ser candidato. Cabe a Assembleia escolher. Eu digo que é importante que saia dentro do conjunto que vai nos apoiar em 2015 um candidato que una todos. Isso é importante.

Que tipo de oposição o senhor espera do PT e PTB?

Eu não vou deixar de dialogar com quem queira conversar comigo. Se a oposição quiser contribuir com minha administração, com ideias, sugestões e críticas, e vou ouvir e ajustar. Aquilo que não for para o bem do Estado, ou que não entendemos como correta, vou seguir o mesmo caminho. Não vou tolher, de maneira nenhuma, o trabalho da oposição. Eles vão fazer o trabalho deles e eu também.

Como vai ser a convivência com o ministro de Desenvolvimento Armando Monteiro Neto após uma campanha tão dura?

Já tive oportunidade de fala com o senador e ele se colocou à disposição para conversar sobre projetos importantes para Pernambuco. A pasta dele é importante para o Brasil e o momento do País. A balança de pagamento precisa estar fortalecida. Exportando mais do que importando. Então, ele vai ter papel importante e não vou me ater de procurar o ministro em momentos importantes para Pernambuco em virtude de disputas eleitorais Vou trabalhar em virtude de Pernambuco.

Ele pode ser o líder da oposição em Pernambuco?

Ele já é uma das lideranças da oposição de Pernambuco. Tanto que foi nosso adversário e deixou claro isso. Ele vai continuar com esse trabalho Agora, ele vai ter função nova como ministro e tenho certeza que ele vai também, dentro das políticas, implantar u olhar para Pernambuco e o Nordeste. Ele sabe da importância de Pernambuco para o desenvolvimento do Brasil do Nordeste. Ele sabe da importância do Nordeste se desenvolver mais que outras regiões. Até porque somos desfavorecidos em relação aos indicadores do Sul e Sudeste Então, esse trabalho de um política regional, de uma política de desenvolvimento da regiões deve ser feito. O ministério dele faz isso.

O que o senhor espera do Governo Dilma em 2015 com crise econômica e política provocada com o escândalo da Petrobras?

É muita incerteza que temos. Claramente, os sinais que o governo dá, com a apresentação da equipe econômica, é de um governo com ajustes fiscais fortes com Joaquim Levy (Fazenda), vai continuar com ajustes monetários com Alexandre Tombini (Banco Central) e vai buscar fazer com que o Brasil volte a crescer com Nelson Barbosa no Planejamento. Esses são os sinais claros. Isso resulta em cortes e priorização de investimentos. Isso é o que a União vai fazer. Vamos querer que nossos projetos tenham prioridade porque eles são prioritários, sim. Não sabemos como essas denúncias vão terminar e isso influi tanto no cenário político como na economia.

Na área de saúde, qual a previsão de investimentos para os hospitais e UPAs? E o senhor pode falar sobre o custo da manutenção dessas unidades de saúde?

A gente tem uma previsão de investimento na Saúde, com construção de hospitais e das UPAs de R$ 800 milhões para os próximos quatro anos. As UPAs, 50%é do Estado, 25%da União, e 25% dos municípios. E os hospitais dependem da especialidade de cada ume número de leitos. Tem uma conta que pode variar de 40% a 60% que a União arca, de acordo com a especialidade na tabela do SUS. É um investimento grande, vamos aumentar os gastos na Saúde. Agora, esses investimentos vão, primeiro, abranger regiões que não têm ainda uma presença mais forte do Estado. A gente quer focar nisso. Fazer a cadeia de hospitais da mulher para acabar com essa questão dos partos de alto risco, as demandas ficam praticamente dentro da Região Metropolitana, as ofertas de leitos. E vamos fechar o ciclo de UPAs Especialidade, em Petrolândia, Santa Cruz do Capibaribe e a Região Metropolitana. Tem a expectativa também de que haja, nos próximos quatro anos, uma rediscussão dentro da questão dos recursos da Saúde, porque, hoje, o maior anseio dos governadores é por uma melhoria no financiamento da Saúde.

O senhor fala de novas fontes de financiamento, mas já disse que é contra a CPMF. Como vai ser essa matemática, com um momento de crise?

Se vier recursos carimbados para a Saúde, desde que diminua a carga tributária de outras áreas, não vejo problema nenhum.

No caso o CPMF?

O CPMF é necessariamente carga tributária. Não dá para criar um imposto novo sem diminuir outros tipos de impostos. Acho que chegou o momento da União, Estados e municípios fazerem uma pactuação de priorização do gasto em Saúde.

Tem uma lista de pessoas que aguardam cirurgias pelo Estado que até resultou em uma ação de autoria do Ministério Público, que sugeriu um corte no governo e que o dinheiro fosse detido para a celeridade das operações. O senhor vai acatar essas sugestões?

Hoje, o grande engarrafamento é das cirurgias eletivas. O que falta é leito. Mesmo a gente tendo dobrado o número de leito e multiplicado por cinco o número de UTIs. O trauma aumentou muito no Estado. Você vai no Hospital da Restauração e 70% da emergência é ocupada por trauma. E trauma, realmente, se você chegar no hospital e não fizer logo uma operação, pode ficar com sequelas irreversíveis. Então, o que acontece é que as cirurgias efetivas, que incomodam, mas que têm que ser feitas. Elas estão sendo postergadas por causa da superlotação nas emergências. Um dos hospitais que a gente vai fazer na Região Metropolitana é o Hospital Geral de Cirurgia, destinado somente a cirurgias programadas, que não têm a ver com trauma.

Qual será sua prioridade na Educação?

A meta é a universalização da escola de tempo integral, para que chegue a todos os alunos da rede estadual, também a manutenção dos programas que têm dado certo, a distribuição dos kits escolares, dos tablets, o Ganhe o Mundo. E buscar que o professor seja cada vez mais qualificado e motivado a ensinar. Isso passa pela melhoria salarial, dobrar o salário em quatro anos, e passa por ter condições de qualifica-los melhor.

O senhor fala em dobrar salário, mas já vai começar a gestão cortando 20% da folha de cargo comissionado. Isso vai representar um repasse para os professores?

Pode ser utilizado em muitas coisas. Já há uma política de reajuste salarial dos professores que é o piso, que vem alcançando um índice acima da inflação. Vamos continuar utilizando a política de aumento do piso e dar os aumentos necessários para atingir o 100%, mas havendo uma cobrança, em contrapartida, ao professorado de melhoria na qualidade dos indicadores de Educação.

O futuro secretário de Transportes, em entrevista à Rádio Folha, disse que vai propor que haja pedágio na BR-232.

Eu ouvi que ele tinha dito que ia fazer os estudos. A gente não pode levar em questão esse tipo de concessão, ou de pedagiamento nessas estruturas, em locais onde não há vias alternativas. No caso da BR-232, as vias alternativas não são satisfatórias para propor uma ferramenta desse tipo. Vou colocar como prioridade para a BR-232 a sua recuperação, mesmo que isso leve a gente a ter que, mais à frente, judicializar novamente a questão.

O senhor era secretário da Fazenda, como espera encontrar as finanças do Estado? O governador João Lyra Neto disse que os recursos que eram esperados não chegaram, por questões de crise econômica e eleitorais. Esperavam investir R$ 3,5 bilhões, e vai chegar ao fim de 2014 a R$ 2,8 bilhões.

Vai chegar a R$ 3 bilhões.

O governador está por fora, é?

Não sei. O que eu sei é que vai chegar a R$ 3 bilhões. Pelo que já está liquidado até hoje, já mostra uma estimativa acima de R$ 3 bilhões.

E como espera resolver?

Não encontrei um estado fácil, as coisas sempre foram apertadas. Vamos encontrar um Estado com as finanças apertadas, mas equilibradas. O que vai nos dar o conforto necessário para saber os nossos desafios em 2015. Nós vamos começar 2015 sem nenhum tipo de projeção, não tem ninguém que está se arriscando a dizer exatamente o que vai acontecer. Há realmente uma instabilidade, uma incerteza. Isso vai levar a um planejamento muito mais bem feito do que normalmente é.

O governador João Lyra disse que teve que parar por falta de recursos algumas obras que o senhor vai ter que concluir. Esse investimento que o senhor está prevendo para 2015 é para concluir boa parte dessas obras?

Tem que concluir as obras e ter previsibilidade, não é? Um dos problemas desse ano é que o PAF (Programa de Reestruturação e Ajuste Fiscal do Estado - como Governo Federal) ainda não foi assinado. Então isso gera uma instabilidade que você não sabe com o que vai contar de recursos.

Vai depender do Governo Federal para tocar as obras?

O que está em andamento nós vamos cobrar do Governo Federal. Óbvio que já são obras contratualizadas, mas a gente tem que ir junto ao Governo Federal para investir. Vamos dar início às obras que as nossas condições financeiras permitirem, que vão ser muitas. E vamos fazer projetos, com o projeto é que a gente sabe o custo e com os projetos é que a gente vai buscar as alternativas de financiamento. Eu vou ter, como governador, a capacidade de ir ao Governo Federal levar o conjunto de projetos que são importantes para o País e para Pernambuco. A gente tem como contribuir para o Brasil voltar a crescer e é isso que vou levar ao Governo Federal, que são obras estruturadoras, voltadas para a população mais pobre, como obras hídricas, rodoviárias, obras que criem atrativos necessários para a instalação de empresas no Interior. São obras que eu entendo que fazem parte da forma de se pensar o Brasil e da forma de se pensar a aceleração do desenvolvimento.

O senhor já tem a lista dessas obras que vai querer começar em 2015?

Nós temos algumas parcerias em obras de recursos hídricos, que envolve complementos da transposição, a finalização da adutora do Agreste e da própria transposição. Temos algumas barragens que são importantes para a estabilidade hídrica do Estado. Vamos buscar também parcerias para a questão da transnordestina.

O senhor falou de Educação, aumento de salário para os professores nos próximos anos, aumento de investimento, que vai buscar outras fontes. Mas a perspectiva para 2015, como já se falou, é muito ruim. O senhor não teme não dar conta disso comesse cenário?

A gente vai fazer o dever de casa também. Vamos fazer os ajustes nas áreas que podem ser ajustadas. Foi mostrado nos últimos anos que é sempre possível economizar.

O senhor não teme decepcionar no começo, com essa adversidade econômica?

Eu tenho compromisso com os próximos quatro anos. Vou preparar, no primeiro ano, os alicerces para que a gente possa concluir tudo nos próximos seis anos.

Vai ser um governo de continuidade ou um novo governo?

Vai ser um governo de continuidade em relação à forma de governar, mas um governo com compromissos novos. É óbvio que tem dentro dele aspectos que eu acredito, porque eu participei desse governo, que vão ser mantidos. O modelo de gestão vai ser mantido.

Um governo de continuidade, sendo que quem está terminando o governo é João Lyra Neto. Então, vai ser um governo de continuidade de Eduardo ou João Lyra?

Vai ser dos dois, não é? Foi um governo conjunto. João Lyra deu continuidade ao que Eduardo deixou, outras coisas ele não conseguiu finalizar, mas a gente sabe da importância de continuar essas obras que estão com o ritmo menor e dar as entregas necessárias à população.

O senhor acha que o ritmo diminuiu com João Lyra?

Eu não vi que o ritmo diminuiu, mas vi no final do ano a priorização a algumas questões. Você vê o pacote de estradas rodoviárias que estavam previstas para ser feitas, mas o resultado foi menor. Mas faz parte também, no final teve que fazer escolhas, não é?

Na campanha, seus próprios aliados disseram que João Lyra fez corpo mole.

Não, não fez, não. João Lyra governou Pernambuco durante nove meses na forma dele de governar.

De que forma?

Ninguém pode dizer que João Lyra é igual a Eduardo. Ele tem a forma dele de governar, de estar presente ou não naquilo que ele entendeu importante. Sempre que ele foi convidado por mim para participar dos eventos de campanha, sempre que pode esteve presente. Ele teve uma contribuição efetiva para a minha campanha, como teve para a de Marina (Silva).

Na entrevista que deu à Folha, o governador também disse que queria colaborar coma sua gestão, mas o senhor conversou e não pediu nenhuma indicação.

Nós tivemos conversas com muita gente, mas, como eu disse antes, na hora de decidir cabia a mim fazer a avaliação de quem seria mais importante para o meu governo. Eu fiz as escolhas, não dava para escolher todos. Agora, eu respeito muito a opinião dele. Sempre que eu achar necessário, vou entrar em contato com João Lyra para conversar e sei que ele vai estar aberto ao diálogo comigo.

O senhor concorda com as declarações dele de que o PS ainda precisa encontrar um líder?

Estou muito tranquilo em relação à essa questão de rótulos. Não preciso ficar dizendo que sou líder, que vou comandar processo. A dinâmica do processo já mostra isso. Fui o candidato mais votado do Brasil. partir de 1º de janeiro vou se governador e vou comandar minha equipe. Não estou preocupado se pessoas A, B ou vão me achar líder ou não.

Como fazer para reinventar Pacto Pela Vida?

Apesar dos últimos resulta dos de 2014, pela primeira vez nos últimos oito anos gente está aumentando o número de homicídios, ele uma política exitosa. A gente conseguiu diminuir um cenário que ninguém estava conseguindo. Uma redução nos últimos oito anos de mais de 30% dos homicídios, muita vidas foram salvas. Agora como toda política, ela precisa de ajustes, para que possa corrigir essas falhas que estão gerando esse resultado.

Dessa equipe que o senhor anunciou, 17 fizeram e fazem parte desse governo de oito anos, alguns cobras criadas. Desses, o senhor foi secretário com esse pessoal por alguns anos. O senhor receia que alguns o tratem como ex-secretário e não como governador?

Não, porque a partir de 1º de janeiro eu sou governador e quem não me tratar como governador a gente vai ter que fazer as alterações necessárias. Eu não tenho preocupação quanto a isso. A minha preocupação é governar bem o Estado durante os próximos quatro anos. É isso que a população espera de mim. Os secretários também estão cientes do papel deles. É claro que e tenho um estilo muito diferente do que é o de Eduardo, d que é de João Lyra. Mas nos resultados eu sou tão incansável como Eduardo era. Então, eu não vou fazer nenhum tipo de concessão para que a gente não atinja o que a gente precisa atingir nesses anos que a população quer que a gente governe.

Qual o estilo do senhor? Quais são as principais diferença que o senhor apontaria em relação ao senhor, Eduardo? João Lyra?

Eu tenho o estilo de ouvir essa condição mais de ouvir Agora, quando eu decido não sou de demorar para decidir, eu tomo as providências que devem ser tomadas. Eu vou ter as cautelas necessárias às decisões, mas vou decidir também de maneira séria, para que a gente não tenha também descontinuidade, nem fiquemos muito tempo com decisões que precisam de celeridade.

FolhaPE

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