terça-feira, 26 de maio de 2020

Goiana: Obra de pavimentação de R$ 2,5 milhões sob suspeita

Foto: Simples Soluções Digitais/Cortesia

A prefeitura de Goiana, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, tem mais uma dor de cabeça pela frente. Atolada em denúncias e com alto índice de reprovação, a gestão do prefeito Osvaldinho Rabelo e do prefeito em exercício Eduardo Honório precisará explicar o custo de mais de R$ 2,5 milhões para realizar a pavimentação de um trecho de 350 metros no acesso à UPA do município.

Além da pavimentação, também está prevista a drenagem e a iluminação do pequeno trecho. O valor por metro assusta: serão gastos pelo município R$ 7.264 por metro construído. O serviço está previsto para ser concluído até o dia 17 de junho. “O alto valor nos chama atenção e gostaríamos que a prefeitura apresentasse alguma justificativa para gastar tanto dinheiro em uma obra de pequeno porte”, questiona o vereador Bruno Salsa (PSB).

O serviço é para facilitar o acesso à UPA onde funcionará um hospital de campanha da prefeitura, obra que já está atrasada e deveria ter sido inaugurada no dia 13 de maio. A intenção é ampliar a rede de tratamento dos casos de covid-19. Neste sábado (23), Goiana chegou a 200 casos confirmados, com outros 52 em investigação. 24 pessoas já faleceram vítima do novo coronavírus e 20 pacientes foram recuperados até agora. “Queremos transparência não apenas na divulgação dos valores das obras, mas também na sua justificativa. O povo de Goiana precisa saber para onde está indo o dinheiro público. Será que os recursos não poderiam ser utilizados na compra de equipamentos de proteção individual para os profissionais de saúde e ou em ações de combate à pandemia?”, questiona Bruno Salsa.

A denúncia expõe a fragilidade da gestão Osvaldinho Rabelo/Eduardo Honório. No começo de abril, o Procurador Geral de Justiça, Francisco Dirceu, requereu ao Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) a intervenção estadual em Goiana. Entre as justificativas, está o descumprimento de aplicação da receita mínima de 25% da arrecadação na Educação, abertura de créditos sem autorização da Câmara de Vereadores, descaso nas ações da saúde, além de suspeita de fraude de licitação, corrupção, lavagem de dinheiro e peculato na contratação de empresa para recolhimento do lixo no município. O pedido segue em análise no TJPE.

 
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