sexta-feira, 2 de março de 2018

Transporte: Participe da nova pesquisa de Origem e Destino da Região Metropolitana do Recife

Por Roberta Soares/Coluna De Olho no Trânsito

Vinte anos depois, a Região Metropolitana do Recife tenta realizar a sua terceira Pesquisa de Origem e Destino para nortear, mais uma vez, o planejamento urbano dos municípios a partir do deslocamento de seus moradores. A ideia é saber para onde as pessoas vão e qual o tipo de transporte que utilizam para tentar priorizá-los nas vias das cidades. A pesquisa será totalmente online, nos mesmos moldes da realizada pela cidade do Recife e que está subsidiando a elaboração do plano de mobilidade da capital. Já está no ar, pelo site pesquisaodmetropolitana.recife.pe.gov.br, e ficará disponível até março deste ano, quando começa a análise dos dados. Qualquer pessoa que resida em um dos 15 municípios do Grande Recife pode e deve participar.

O questionário é simples e rápido. Além de informações socioeconômicas, que fazem parte de qualquer pesquisa, a OD pergunta qual o tipo de deslocamento feito pelo usuário (e dos filhos, no caso de tê-los) e o transporte utilizado. O participante terá que informar apenas o CEP de onde reside. De forma geral o levantamento é anônimo. No fim das respostas, é gerado um código que deve ser guardado pelo usuário. A primeira pesquisa OD do Grande Recife foi realizada ainda pela extinta Sudene, em 1972, e foi um marco de inovação. Somente 25 anos depois, em 1997, a segunda OD foi elaborada e é, até hoje, a principal base de dados de mobilidade utilizada no Estado. Enquanto isso, cidades como São Paulo realizavam estudos a cada dez anos.
A pesquisa de origem e destino está sendo aplicada pelo Instituto da Cidade Pelópidas Silveira (ICPS), órgão vinculado à Secretaria de Planejamento Urbano do Recife, responsável por “pensar a cidade”. Por ser online, alojada em um site, não terá qualquer custo para o poder público. Se a pesquisa fosse realizada nos moldes de 1972 e 1997, com visitas porta à porta, o custo estimado, atualmente, seria de R$ 6 milhões, segundo o engenheiro e professor Maurício Pina, que integra, pelo governo do Estado, a equipe de coordenação do levantamento. “As vantagens são inúmeras e podem ter certeza de que em breve o Recife estará recebendo romarias de técnicos do País inteiro para conhecer o modelo e a metodologia da pesquisa. Precisamos de levantamentos do tipo a cada dez anos e, com esse valor atual de custo, teríamos muitas dificuldades para realizá-los”, destaca Maurício Pina, que participou da OD de 1997.


A implantação dos resultados da pesquisa de origem e destino passa diretamente pela vontade política dos gestores, o que sempre ficou a desejar nos estudos de 1972 e, novamente, de 1997, mas é a mais importante ferramenta de coleta de informações sobre as necessidades de mobilidade da população. “Ela representa a diretriz fundamental para a reorganização de linhas de ônibus, expansão do metrô, implantação de faixas exclusivas para o transporte público, ciclovias e ciclofaixas, além da recuperação de calçadas e de mudanças na circulação do tráfego urbano”, destaca Sideney Schreiner, diretor executivo de Planejamento da Mobilidade do ICPS e da equipe de coordenação da pesquisa.
OBJETIVOS
A pesquisa de OD da Região Metropolitana do Recife tem basicamente dois objetivos: o primeiro é atualizar o Plano Diretor de Transportes Urbanos (PDTU), cuja última elaboração foi concluída em 2008 e projetava cenários para 2012 e 2020, e alimentar a base de informações para a elaboração dos Planos de Mobilidade Urbana (PMU) dos municípios do Grande Recife. Toda cidade com mais de 20 mil habitantes ou que integre uma Região Metropolitana precisa ter um plano, como determina a Lei Federal 12.587/2012. Quem não fizer ficará impedido de obter recursos federais para projetos de mobilidade.

O prazo para elaboração desses estudos venceu em 2015 e, depois de uma forte pressão política, foi adiado para 2018. “Por isso todas as cidades precisam correr. Acredito que será muito difícil prorrogar esse prazo novamente junto ao governo federal. Com a pesquisa de OD estaremos ajudando os municípios da RMR a avançar com seus estudos. É um estímulo. Eles terão 60% dos seus futuros planos de mobilidade prontos”, afirma o diretor de planejamento do GRCT, Maurício Bandeira. Em Pernambuco, 106 cidades têm que elaborar um PMU, mas apenas Ipojuca cumpriu o prazo inicial. No Brasil, apenas 1,5% dos municípios entregou.

RESPOSTA OBRIGATÓRIA
Na pesquisa de OD do Recife a prefeitura criou uma lei, aprovada por unanimidade na Câmara dos Vereadores, que obriga os grandes polos de geração de tráfego a responderem ao levantamento. Se preciso for, a mesma medida poderá ser adotada na RMR. “Mas nesses casos teremos que ter o entendimento dos prefeitos. Se eles acharem que devem, criarão a lei. Mas não acredito que será necessário porque as cidades do Grande Recife têm uma população menor e a adesão, se bem divulgada, deverá ser maior do que foi na capital”, aposta Sideney Schreiner.

 
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