quarta-feira, 20 de maio de 2015

Economia: Fábricas da Fiat em Betim e em Goiana vivem momento distintos

Um dos lançamentos mais relevantes do ano é o Jeep Renegade, montado na unidade no estado nordestino, enquanto a fábrica de Minas produz modelos obsoletos e dá férias coletivas

Segunda-feira passada, pela quarta vez no ano, a Fiat concedeu férias coletivas a 2 mil trabalhadores da fábrica de Betim. Curiosamente, o número corresponde exatamente ao tanto de empregos diretos que foram gerados pela fábrica de Goiana (PE), responsável pela fabricação do Jeep Renegade. A fábrica foi inaugurada mês passado e, segundo a marca, reúne os processos produtivos mais avançados do grupo FCA (Fiat Chrysler Automobiles). Mas enquanto o Jeep Renegade pernambucano faz sucesso – em pouco mais de um mês já emplacou 660 unidades, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) –, a linha de modelos Fiat mineira, há cerca de cinco anos sem nenhuma novidade significativa, amarga o excesso de estoques.

As férias foram uma decisão, segundo a montadora de Betim, para adequar estoques e evitar demissões. As paralisações anteriores ocorreram entre o fim de 2014 e o início deste ano em razão do período de Natal e ano-novo. Depois houve uma parada técnica de três dias em março e mais 20 dias em abril. Desta vez, os trabalhadores só devem retornar ao trabalho em 1º de junho. No caso da Fiat, a queda nas vendas não é resultado somente da conjuntura atual de recessão do mercado, mas da falta de estímulos e novos produtos, essencial para alavancar vendas, especialmente em momentos de crise.

JEEP As primeiras unidades do Jeep Renegade começaram a ser vendidas no fim de março. O utilitário-esportivo compacto marca a inauguração da fábrica do Grupo FCA no Nordeste. De lá também sairão uma picape com a marca Fiat e um SUV médio da Jeep. São três versões de acabamento, duas opções de motorização, três de câmbio e duas de tração. Todas vêm com extensa lista de equipamentos de série, além dos opcionais.

Todas as versões do SUV compacto têm direção elétrica, ar-condicionado, vidros elétricos nas quatro portas, travas elétricas, alarme e sistema de som Premium com comandos de áudio e telefone no volante. Ainda fazem parte da lista de itens de série os ERM (redução eletrônica de capotamento), ESC (controle eletrônico de estabilidade), TSC (controle oscilação de trailer), HSA (auxílio de partida em rampas), entre muitos outros.

A versão menos cara é a Sport, que tem motor 1.8 E.torQ EVO. O câmbio pode ser manual de cinco velocidades ou o automático de seis marchas. A versão Sport tem ainda a opção do motor 2.0 turbodiesel, que tem câmbio automático de nove velocidades e tração 4x4.

A segunda opção da linha é a Longitude, que não tem opção de câmbio manual. Assim, o motor 1.8 flex é conjugado com transmissão automática de seis velocidades. E a diesel sempre com automático de nove velocidades e tração 4x4. Essa opção traz de série o ar-condicionado digital (dualzone), rodas de aro 17 polegadas, sistema de som Uconnect 5.0 com tela colorida sensível ao toque de cinco polegadas e Bluetooth, USB, comandos vocais e volante revestido em couto com comandos do som e telefone, entre outros equipamentos. Visualmente se diferencia da Sport pelos retrovisores e maçanetas na cor da carroceria e rack no teto e rodas com outro desenho.

TOPO A versão mais cara e sofisticada é a Trailhawk, que tem somente motor turbodiesel e câmbio automático de nove velocidades. No visual, ela conta com adesivos no capô, barras longitudinais no teto, retrovisores pintados em cinza, rodas aro 17 com desenho exclusivo. Os destaques são o display reconfigurável de sete polegadas, ganchos-reboque em vermelho (dois frontais, um traseiro), interior exclusivo trailhawk (detalhes em vermelho-rubi), lanterna removível, retrovisor interno eletrocrômico. Outra mudança é a suspensão off-road exclusiva.

MOTORIZAÇÕES O 1.8 16V E.torQ EVO tem 130cv e torque de 18,6kgfm com gasolina. Com etanol, a potência pula para 132cv e torque de 19,1kgfm. Revisão a cada 12 mil quilômetros ou um ano. Já o motor turbodiesel tem potência máxima de 170cv e torque de 35,7kgfm. Revisão a cada 20 mil quilômetros ou 12 meses. A capacidade do tanque é de 60 litros para motor a diesel ou flex. Somente o motor a diesel tem o controle de descida (HDC).

QUANTO CUSTA Sport 1.8 flex, R$ 69.900; Sport 1.8 flex automática, R$ 75.900; Longitude 1.8 flex automática, R$ 80.900; Sport turbodiesel, R$ 99.900; Longitude 2.0 turbodiesel, R$ 109.900; Trailhawk 2.0 turbodiesel, R$ 116.900.
Nem concessionárias escapam
A decisão de construir a segunda planta em Pernambuco privilegiou empregos fora, mas afeta o trabalhador mineiro. O acúmulo de estoques na fábrica de Betim não é por acaso. Em números, a Fiat ainda detém a liderança de mercado (especula-se até quando conseguirá mantê-la), mas a participação cai. De pouco mais de 20% em janeiro, caiu para 17,86% em abril, considerando-se as vendas somadas de automóveis e comerciais leves. Além disso, grande parte do percentual de vendas Fiat não se deve ao varejo, mas às chamadas vendas diretas, em especial para locadoras, que alteram significativamente o número de emplacamentos. Não fosse isso, há muito a montadora de Betim já haveria perdido o posto de líder para uma das principais concorrentes, GM ou Volkswagen. Em abril, por exemplo, se consideradas apenas as vendas de varejo, a liderança foi da GM, com 16,27% de participação de mercado na venda de automóveis mais comerciais leves, contra 14,21% da Fiat. No acumulado do ano a GM continua na frente, com 18,17% de participação versus 16,12% da Fiat.

Além disso, enquanto o grupo FCA comemora a ampliação da rede Jeep, com a inauguração, somente em abril de 129 concessionárias Jeep, frente a uma previsão inicial de 120, as revendas autorizadas Fiat reclamam de ter ficado à margem do maior lançamento do grupo dos últimos tempos. “Quando se falou na criação dessa fábrica de Goiana e no desenvolvimento de um produto novo tivemos muita expectativa. Mas a realidade foi bem diferente. As concessionárias Fiat não podem vender o Renegade e nem têm nenhum produto verdadeiramente novo da marca Fiat faz tempo. Com isso, o movimento cai e não há nada para atrair o consumidor”, desabafa um gerente de concessionária Fiat da capital.

De fato, só foi permitido aos proprietários de concessionárias Fiat comercializarem o Renegade se houvesse um espaço à parte para a marca Jeep. E, mesmo assim, nem todos os grupos tiveram a concessão. Em Belo Horizonte, por exemplo, foram inauguradas somente duas revendas Jeep (enquanto existem cinco grupos com lojas autorizadas da marca Fiat na capital, um em Contagem e um em Betim, num total de 13 revendas), sendo que dessas apenas uma pertence a um grupo dono de concessionária Fiat. Além de não poderem comercializar o Renegade, para as revendas Fiat o momento é pior, uma vez que a falta de lançamentos só contribui para a queda nas vendas, já reduzidas significativamente devido à crise por que passa o setor, resultado do difícil momento que vive a economia do país. Para os revendedores, a marca italiana, tradicionalmente conhecida pela inovação e rapidez com que lançava produtos e movimentava o mercado, perde terreno ao voltar as atenções para a marca Jeep e deixar de lado a pioneira irmã de Betim. Mais empregos ameaçados.

DiariodePernambuco

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