quarta-feira, 20 de junho de 2018

Cultura: Prestes a completar 170 anos, Banda Curica defende proposta moderna no Outras Palavras

Na última sexta-feira (15), a banda que é Patrimônio Vivo de Pernambuco participou, ao lado da escritora Rejane Paschoal, da edição do projeto Outras Palavras em Lagoa do Carro.

Por Camila Estephania

Vestidos de camisa xadrez, os integrantes da Banda Curica saíram de suas fardas habituais para apresentar uma prévia do seu Concerto Junino na última sexta-feira (15), dentro do projeto Outras Palavras, promovido pela Secult-PE/Fundarpe, que aconteceu na EREM Francisco Siqueira,  em Lagoa do Carro. A escritora Rejane Paschoal também participou do encontro.

Everton Luiz, o atual maestro da banda goianense, que é Patrimônio Vivo de Pernambuco, aproveitou a ocasião para compartilhar com os alunos da escola que este ano será especial para a Sociedade Musical Curica, que mantém o grupo, por conta das comemorações dos seus 170 anos, que serão completos em 8 de setembro.
Marcado para esta quarta-feira (20), a partir das 19h30, o Concerto Junino que acontece em frente à sede da Sociedade, em Goiana, pelo segundo ano simboliza parte da transformação e amadurecimento pelo qual o grupo tem passado. “O título de Patrimônio Vivo deu uma dinamizada na Curica, porque a gente começou a pensar a médio e longo prazo, ele nos deu essa garantia para que a gente pudesse fazer um plano de trabalho e manter uma sede que hoje é adequada para a gente exercer as atividades da escola de música”, explica o presidente da Sociedade, Edson Júnior da Silva, que conversou com os alunos da EREM Francisco Siqueira.

Desde que recebeu o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco, em 2006, a Sociedade Musical Curica viu seu quadro dar um salto: de pouco mais de 20 músicos, a banda passou a ter 72 integrantes, além de contar com 127 jovens estudando na escola de música que fornece músicos para a banda. A criação de concertos específicos para determinados festejos também é uma novidade que começou a ser aplicada apenas no ano passado. “A gente já fazia diversas apresentações com repertório misto, mas fomos começando a fazer intercâmbios e a entrar em contato com outras bandas, que nos ajudaram a ter essa visão de separar os concertos por temas. Através disso, os jovens conseguem identificar quais são as músicas e o clima característicos de cada momento”, observa Everton, que assumiu a função de maestro em 2015 e implementou o modelo.
De tributos de Luiz Gonzaga a Falamansa e Mastruz com Leite, o repertório diversificado e rejuvenescido que esquentou o pátio lotado da EREM Francisco Siqueira ilustrou bem a boa aceitação das apresentações da banda. Para dar um gostinho dos concertos fora dos períodos típicos, a ocasião foi aberta por um medley de Jota Quest que arrancou aplausos e colocou alunos e professores para dançar até o fim do “show”. “A gente continua com a nossa raiz da banda tradicional, mas com ênfase no repertório popular. Por isso, começamos a trazer com um pouco mais de intensidade esse repertório popular, pegando ritmos específicos para o jovem aprender quais são as suas linguagens”, justifica o maestro sobre a atualização no repertório que, embora não destaque mais barrocos, dobrados e marchas como antigamente, ainda mantém a estética de banda militar.

Para as festividades dos 170 anos da Sociedade Musical Curica, que acontecerão na sua semana de aniversário, também vem sendo trabalhado um repertório específico. “Vamos surpreender, mas posso adiantar que a gente vai preparar um repertório típico da região trazendo compositores como Accioly Neto, que é goianense, Luiz Gonzaga, Dominguinhos e algumas outras composições, inclusive de nossos alunos, que vamos adaptar para a ocasião”, disse Everton, que acredita que o processo de criação constante de espetáculos especiais é fundamental para motivar todos os envolvidos.
“Até nos músicos gera uma expectativa legal para preparar esses concertos e ensaiar uma música nova ou outra, algumas que eles queiram. Isso vai fazendo com que todo mundo saia mais animado para essas apresentações. Tanto os músicos, quanto o próprio público”, garante ele, que levou para o Outras Palavras uma formação de 56 integrantes. Como a maior parte da banda é formada por jovens em idade escolar, muitos não puderam comparecer por conta das provas. “As bandas de música fazem o papel de conservatórios no interior, porque nem todo mundo tem condições de ir estudar na capital”, observa Edson, sobre a importância da instituição que prepara profissionais até mesmo para atuar em outras bandas do Estado quando atingem a fase adulta.

Em reconhecimento ao papel essencial dos jovens para a perpetuação do trabalho da Curica, o maestro considera fundamental a participação da banda em projetos como o Outras Palavras. “A gente vê a musica não só como um exercício profissional, mas como um meio social, onde as pessoas podem aprender alguns princípios que funcionam pra quaisquer outros fatores da vida. Os nossos alunos desenvolvem qualidades como a atenção, o respeito e o senso de coletividade. O jovem quando busca o conhecimento musical acaba automaticamente ganhando outras características que formam cidadãos e não só músicos”, opinou ele.
REJANE PASCHOAL

Mais cedo, alunos do EREM Francisco Siqueira também conversaram com a escritora Rejane Paschoal , que venceu o 3º Prêmio Pernambuco de Literatura com o livro “Manuscritos em Grafite”. A autora falou sobre o início da carreira, sua preferência pelo tipo da narrativa dos contos, seu processo criativo e incentivou os estudantes a escrever.

“Não procurem editoras. Felizmente, estamos em um momento em que há muitos concursos, como Prêmio Pernambuco de Literatura. Às vezes, a gente fica atrás de editora e não consegue publicar, aí o livro fica guardado. Com os concursos, os livros são publicados, divulgados e circulam. Se eu ficar aguardando a editora, vou ficar com vários livros guardados”, disse ela que, atualmente, prepara o seu segundo livro.

 
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