20 agosto 2016

Economia: As máquinas começam a moer a cana do NE

A safra 2016/2017 iniciou, nesta quinta, na Região. A previsão é de esmagar 53 mi de toneladas

As usinas pernambucanas já estão em clima de produção. A safra 2016/2017 da cana-de-açú­car começou nesta semana em quatro usinas da Zona da Ma­ta Norte do Estado. E as outras 11 unidades locais darão início à colheita até o fim de setembro com a expectativa de produzir mais que a do ano passado. Levantamento do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco (Sindaçúcar-PE) confirma: 13 milhões de toneladas de cana devem ser geradas no Estado nesta safra. O volume é 10% maior que o registrado em 2015/2016, quando a produção foi afetada pelo El Niño.

“A produção deve chegar a 53 milhões no Nordeste e Pernambuco responderá por 13 milhões desse total”, calculou o presidente do Sindaçúcar-PE, Renato Cunha. Com isso, o Estado reforça a posição de segundo maior produtor do Norte/Nordeste, ficando atrás apenas de Alagoas, que prevê uma safra de 18,5 milhões de toneladas de cana. O presidente do Sindaçúcar-PE pontua, no entanto, que o volume projetado para Pernambuco ainda é menor que a média histórica de 16 milhões. Afinal, na safra passada, a produção caiu muito por conta da seca e do El Niño, passando de 15 milhões de toneladas em 2014/2015 para 11,6 milhões em 2015/2016. No Nordeste, a produção caiu de 61 para 49 milhões de toneladas de cana. Por isso, nesta safra, o que acontece é o início da recuperação do setor.

“O El Niño castigou a produção; mas, passado o fenômeno, houve uma normalidade das chuvas entre dezembro do ano passado e maio deste ano. Com isso, as perspectivas melhoraram”, contou Cunha, que chegou a esperar uma safra de 13,5 milhões para este ano. A projeção, no entanto, teve um pequeno recuo neste mês. “As chuvas ficaram regulares e bem distribuídas até maio. Em junho, julho e no início de agosto, porém, houve uma redução de 600 a 700 milímetros de chuva no Estado”, explicou o presidente do Sindaçúcar-PE, dizendo que as estimativas nordestinas também caíram, passando de 54 para 52/53 milhões de toneladas. “É um crescimento moderado perante a safra passada”, pontuou Cunha.

Com os 13 milhões de toneladas de cana, o Sindaçúcar-PE espera produzir um milhão de toneladas de açúcar e 300 mil metros cúbicos (m³) de álcool, sendo 129 mil m³ de anidro e 171 mil m³ de álcool hidratado. Ou seja, a produção de açúcar deve ganhar um incremento de 180 mil toneladas, enquanto a de etanol ficar estável. A manutenção do álcool reflete o comportamento do mercado. “Os preços internacionais do açúcar melhoraram por causa do câmbio e isso impulsiona o setor, já que temos menos custos logísticos de exportação que o Centro-Sul. O etanol, no entanto, não tem incentivos na matriz de preços”, criticou Cunha, reforçando a necessidade de regulamentar o mercado do combustível, pedido apresentado, inclusive, no evento que marcou o início da safra nordestina, nesta semana, em João Pessoa, e contou com a presença de diretores da ANP.

FolhaPE
 
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