sexta-feira, 26 de julho de 2013

Ponta de Pedras: As forças do bem e do mal de um boato

Rodas de bate-papo discutiram as versões do acontecimento em Ponta de Pedra

Boatos como a queda do avião no mar de Ponta de Pedra, no Litoral Norte de Pernambuco, na última quarta-feira, fazem parte do comportamento social e surgem da necessidade humana de criar expectativa em relação à realidade. Para algumas autoridades ligadas à segurança pública, as informações fantasiosas coletivas não podem ser comparadas aos criminosos trotes.

Apesar desse entendimento, os autores da “ficção da vida real” devem ficar atentos porque também podem ser punidos devido ao dano gerado pelo excesso de criatividade. Nesse episódio do falso desastre aéreo, por exemplo, o Estado deslocou dezenas de viaturas, agentes, helicóptero e todo o aparato utilizado nesses tipos de ocorrência e, no fim das contas, a ação serviu, no máximo, como treinamento.

Para o professor do curso de Psicologia Social da Universidade Católica de Per Mais boato permeou a mente dos pernambucanos. A possibilidade da queda de um avião fez com que um grande efetivo fosse deslocado para o local. Para especialista, o boato é um fenômeno de comunicação. E os depoimentos da população potencializam essa repercussão.

Para o professor do curso de Psicologia Social da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), Alex Peña-Alfaro, o boato é um fenômeno de comunicação. “A sociedade humana tem a necessidade de se comunicar e, em determinados momentos, surgem notícias reais ou fantasiadas sobre determinado evento. Hoje, essas informações se propagam mais rápido e atingem grandes proporções devido à tecnologia da informação”, explicou.

Um fator que contribuiu para o fortalecimento do boato da queda do avião, além da suposta foto da aeronave no mar, foi o depoimento da população. Teve gente jurando de pés juntos que viu a aeronave caindo na água e afundando. Na realidade, o que todos viram foi uma peça que estava sendo levada por um navio ao Porto de Suape. José Tavares de Araújo, de 56 anos, relembrou o episódio. “Tinha muito carro aqui. Parecia que o verão tinha chegado”, contou aos risos. Um gari da prefeitura também brincou falando que estava procurando a aeronave para levá-la no caminhão do lixo.

Por terem as características de uma história real, os boatos ganham força e confiança. “Fizemos todas as triagens de rotina para verificar se era trote. Mas as ligações não paravam de chegar. Elas viam de pessoas diferentes, telefones diversos e de mais de uma cidade. Então mobilizamos todo o efetivo para atender ao suposto desastre”, disse o chefe de comunicação do Corpo de Bombeiros, o tenente-coronel Valdy de Oliveira. Osmar Santana, 29, também acreditou no conto que ouviu. “Eu peguei a lancha e entrei no mar, mas quando estava perto percebi que não era avião”, contou.

FolhaPE
 
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