quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Operação Imhotep: Prejuízo pode chegar a mais de R$ 230 mil na Prefeitura de Goiana, diz polícia

A secretária de Obras da cidade se entregou a polícia. Um acusado foi contratado por R$ 12 mil para uma função que exercia anteriormente por R$ 1.900, segundo investigação.

A Polícia Civil divulgou, nesta quarta-feira (28), durante coletiva de imprensa, que mais de R$ 230 mil foram movimentados em um esquema criminoso na Prefeitura de Goiana, na Mata Norte de Pernambuco, por meio da contratação de uma empresa pela secretária de Obras do município, Marlize do Carmo Mainardis, de 59 anos. Desencadeada na terça-feira (27), a ‘Operação Imothep’ cumpriu três dos cinco mandados de prisão preventiva expedidos, além de outros sete mandados de busca e apreensão no município e em Petrolina, no São Francisco Pernambucano.

De acordo com o delegado titular de Goiana, Thiago Uchôa, o arquiteto Josielson Roque de Jesus, de 28 anos, que havia trabalhado e sido exonerado da prefeitura em 2013, foi contratado novamente, em 2015, como pessoa jurídica. Como comissionado, o arquiteto recebia um salário de R$ 1.900 - o valor subiu para R$ 12 mil, quando foi contratado para realizar consultoria em arquitetura em obras no município.

"Desses R$ 12 mil, uma parte ia para outros dois envolvidos, uma arquiteta e um engenheiro (R$ 2.500 pra cada), e temos provas nos autos que a Marlize cobrava esse dinheiro através de uma mulher", afirmou Uchôa.

As atividades, de acordo com a polícia e funcionários da própria prefeitura, poderiam ser desempenhadas pelos servidores do quadro permanente do órgão. "A secretária abriu a licitação com o valor de R$ 148 mil, para poder convidar apenas três empresas. Duas delas não tinham funcionários declarados e, por isso, não tinham capacidade para cumprir as atribuições", disse o delegado.

Ainda segundo Uchoa, até o processo de contratação da secretária pode ter sido irregular, já que ela tinha vínculo com as prefeituras de Petrolina e Casa Nova, na Bahia, mas o cargo em Goiana exigia dedicação exclusiva. A TV Globo tentou contato com a secretária, mas não obteve contato.

O assessor de Controle Externo do Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE), Walter Martins, explicou que uma auditoria foi instaurada para apurar a questão do convite para a licitação, que está sendo investigado pela polícia. As obras da Nova Feira Livre, localizada na Rua da Soledade, no Centro da cidade, e a reforma da Praça Laura Nogueira (popular Praça do Cabaço), localizada na Vila Castelo Branco, também no Centro, vistoriadas pela mesma empresa, também serão analisadas, pois deveriam ter sido concluídas há meses.

“As obras já deveriam ter sido concluídas, uma delas (Obra da nova feira livre) é orçada em R$ 10 milhões. Apenas com os documentos colhidos inicialmente, nós verificamos indícios de irregularidades”, disse Martins. Após o contrato de R$ 148 mil, referente à contratação da consultoria, foi inserido um aditivo de R$ 80 mil.

Além dos dois sócios (Josielson e sua cunhada, a professora Maria do Socorro Mesquita Barbosa Veloso, de 46 anos), a arquiteta Marie Gabrielli Alves de Souza Mendes, de Petrolina, de 36 anos, foi presa. Está foragido o engenheiro civil Adjair Costa Leite Jr, também acusado de envolvimento nos crimes.

Já a secretária de Obras de Goiana, Marlize, que encontrava-se foragida desde mais cedo, se entregou a polícia no início da tarde desta quarta-feira (28).

Foram apreendidos documentos e computadores, além de um carimbo da empresa citada nas fraudes, que estava na sala de Marlize.

Os envolvidos responderão pelos crimes de falsidade ideológica, corrupção passiva, usurpação de função pública, além de violação da Lei de Licitações.

Josielson foi recolhido para o Centro de Observação Criminológica e Triagem Professor Everardo Luna (COTEL), em Abreu e Lima. Marlize e Maria do Socorro seguiram para a Colônia Penal Feminina do Bom Pastor, no Recife, e Marie Gabrielli foi enviada para a Cadeia Feminina de Petrolina, onde permanecerão à disposição da justiça. 

Spectrums

Em agosto deste ano, a Polícia Civil já havia deflagrado uma operação para desarticular uma associação criminosa suspeita de desviar dinheiro público em Goiana. Nas investigações, realizadas simultaneamente na Mata Norte e em João Pessoa, na Paraíba, foi apurado que houve o desvio de, pelo menos, R$ 2,5 milhões, repassados a contas de funcionários fantasmas.

Na 'Operação Spectrums', foram presos seis homens e seis mulheres foram presos, sendo um deles o administrador da folha de pagamento do município. Tablets, computadores documentos e smartphones foram apreendidos e passaram por análise, levaram a polícia a crer que a esposa, a sogra, a mãe, os irmãos, primos e algumas amigas do administrador também eram beneficiados pelo desvio de dinheiro.

Os suspeitos respondem pelos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Com informações do G1




 
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