segunda-feira, 16 de maio de 2016

Alerta: Chikungunya pode ter matado mais

Cartórios nas cidades com mais casos da arbovirose lavram mais mortes desde início de surto

A chikungunya e uma onda de mortalidade. É esse o desenho que fica cada vez mais evidente nas cidades que vivenciaram o pico da doença nos últimos meses. As cidades que concentram a maioria de pessoas que tiveram sintomas da enfermidade ficam na Região Metropolitana no Recife (RMR) e Zona da Mata, que somam 6,4 mil notificações.  Em seguida, estão os registros da 4ª regional de saúde de Caruaru, englobando 32 municípios, e contam 5,9 mil casos. No terceiro lugar de notificações apa­rece a 12ª regional com se­de em Goiana, com 4,3 mil. Espalhadas por essas regiões estão oito de dez cidades onde se verificou uma elevação dos registros gerais de óbitos entre outubro de 2015 e março de 2016.

Dados da Corregedoria do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) elencam Jaboatão dos Guararapes e Recife, na RMR; Belo Jardim, Caruaru, Pesqueira, São Bento do Una e Santa Cruz do Capibaribe, no Agreste; Vitória de Santo Antão, na Mata Sul; e Serra Talhada e Caetés, no Sertão, como as dez cidades onde aconteceram os mais expressivos aumentos de mortes. No Recife, por exemplo, 955 certidões foram emitidas em novembro, 744 em dezembro, 1.118 em janeiro e 1.551 em fevereiro. A cidade já confirmou oficialmente nove óbitos confirmados por chikungunya. Em Caruaru, houve 299 registros em novembro. Em janeiro o número foi de 396 e, em fevereiro, 409. Dados de dezembro e janeiro ainda não foram computados. O município teve apenas uma confirmação de morte por dengue até o momento. “Já tínhamos chamado a atenção da mortalidade de idosos, mas em números gerais não”, comentou o diretor de Vigilância Ambiental de Caruaru, Paulo Florêncio. Ele afirmou que é preciso avaliar melhor os números antes da conclusão concreta. Um caso que chama atenção é o de Caetés, onde não houve óbitos lavrados em novembro e dezembro, mas registrou 19 em janeiro, nove em fevereiro e 19 em março. A coordenadora da atenção básica do município, Renata Nogueira, também se surpreendeu com os dados. “Estamos com a investigação de dois óbitos apenas suspeitos por arbovirose. O de uma criança e de um idoso. Mas nada confirmado até agora”, relatou.

O consultor para arboviroses do Ministério da Saúde, Carlos Brito, reforçou a necessidade de uma melhor apuração sobre as mortes. “É provável que parte desse aumento dos óbitos seja relacionada à chikungunya. Isso é um evento novo que requer uma investigação em profundidade. Precisamos entender como a chikungunya leva ao óbito porque há causas diretas e indiretas, como descompensações cardíaca, renal e hemorrágica”, afirmou. Para ele, a sensibilização dos profissionais de saúde em relacionar a enfermidade como desencadeador de complicações é um ponto chave. O diretor de Controle de Doenças e Agravos da Secretaria Estadual de Saúde (SES), George Dimech, destacou que o governo está fazendo uma revisão de mortes suspeitas por arboviroses. Ele comentou que já há evidências na Colômbia que indicam alta de óbitos gerais também. “Atribui-se que a alteração no padrão de mortalidade esteja mais relacionado à chikungunya porque ele foi a novidade com potencial de severidade”, contou. 

FolhaPE

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