quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Crime Organizado: PF investiga relação entre direção da Hemobrás e doações a campanhas

Diretor-presidente da empresa, Rômulo Maciel, foi afastado do cargo. Investigação apura recebimento de valores por assessores de políticos.

A Polícia Federal (PF) está investigando operações financeiras suspeitas envolvendo a direção da Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás) e doações para campanhas políticas. O diretor-presidente da Hemobrás, Rômulo Maciel Filho; o diretor de Inovação Tecnológica da estatal, Mozart Sales; e o servidor Jorge Luiz Batista Cavalvanti foram afastados dos cargos por 90 dias pela Justiça, enquanto a PF segue com as investigações.

Segundo a PF, ao menos um membro da diretoria, que não teve o nome divulgado, está sendo investigado por fazer operações financeiras próximas ao dia das eleições de 2014. Esse dinheiro teria chegado a campanhas políticas. Não foram informados para quais partidos essas doações foram feitas.
"A gente tem os nomes dos assessores que receberam esses valores, isso está muito bem definido. Temos operações financeiras suspeitas, dentre elas, algumas envolvendo assessores e contas de campanhas eleitorais de 2014, além de membros de prefeituras, ligadas à gestão pública municipal", aponta o delegado Wagner Menezes, coordenador da operação.

A PF apura se o dinheiro viria da estatal ou de outras fontes. "Vamos aprofundar as investigações. Temos um indício de que políticos têm envolvimento. Estamos compartilhando com a Justiça Eleitoral todas as informações que temos para que sejam dados os prosseguimentos às investigações deles também", explica o superintendente regional da PF, Marcelo Diniz Cordeiro.

Durante a operação, duas pessoas foram presas temporariamente, uma empresária em Pernambuco e outro empresário no Piauí. "Esses empresários têm contas no exterior e a gente precisa que eles fiquem presos enquanto é feito o bloqueio delas, retirados extratos e verificamos valores", detalha o superintendente, que não divulgou os nomes.

Na casa do diretor-presidente da Hemobrás, a PF também encontrou 50 quadros que estariam sendo utilizados para lavagem de dinheiro. "Foram encontradas obras de diversos artistas pernambucanos de renome. Houve uma pré-avaliação e um dos quadros foi avaliado em R$ 100 mil. Era uma galeria de arte o local", afirma a delegada Carla Patrícia, chefe da Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado.
O superintendente da PF lembra ainda que diversas fases da obra da fábrica da Hemobrás em Goiana estão sendo investigadas. "Também temos fortes indícios de vantagens indevidas, onde se fazia depósito para sócios e empresas sem o respectivo lastro do serviço, ocultação de patrimônio dos envolvidos investigados. [Investigamos] superfaturamento da obra da Hemobrás em Goiana, assim como direcionamento do gerenciamento das obras", enumera o superintendente.

Procurada pela reportagem, a Hemobrás ainda não se pronunciou sobre a operação.

Licitações
Os peritos trabalham agora sobre os documentos apreendidos, para poder afirmar qual o tamanho do prejuízo, estimado inicialmente em R$ 30 milhões. A obra, segunda a PF, ainda está em cerca de 70%. "O nosso trabalho aqui, nesse momento, é reprimir o que estava acontecendo, é estancar esse direcionamento de licitações e essa sangria da Hemobrás. Agora, os peritos estão fazendo um laudo para estimar o prejuízo", afirma o superintendente.

Diversos contratos de licitações estão sendo investigados pela PF. Um deles é relacionado ao transporte e armazenamento de plasma. "É um contrato de R$ 6,3 milhões, que era inicialmente somente para transporte e depois para armazenamento também. Como eles não tinham a tecnologia adequada para preservar esse plasma, temos um desperdício massivo do produto", detalha o coordenador da operação, delegado Wagner Menezes. A estimativa do prejuízo, somente com a perda desse material, é de R$ 9 milhões, segundo a PF.
Outro contrato investigado também é relacionado ao armazenamento de plasma. "A empresa que tinha ganho em um primeiro momento lançou uma proposta de R$ 880 mil, quem fez o certame disse que ela não tinha um documento. Foi rescindido esse contrato e, mais para frente, foi feita uma dispensa de licitação para contratar uma empresa para fazer o mesmo serviço por R$ 8,3 milhões, para armazenar plasma", aponta Menezes.

Um dos exemplos de direcionamento de licitação foi em um contrato de gerenciamento da obra da Hemobrás, já barrado pelo Tribunal de Contas da União (TCU). "Teve uma licitação no final do ano passado de gerenciamento da obra da Hemobrás que, de um contrato para o outro, aumentou de R$ 22 milhões para R$ 74 milhões. Isso foi barrado pelo TCU porque percebeu que a única empresa que poderia vencer a licitação era a que já fazia essa obra", detalha o coordenador.

G1

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