sábado, 21 de novembro de 2015

Caso de Polícia: CPI das Faculdades Irregulares aprofunda investigações. Diretor de faculdade sai preso da reunião



O diretor-geral da Fundação de Ensino Superior de Olinda (Funeso), o professor Célio da Costa Silva, foi detido, na noite desta quarta (18), durante reunião da CPI que investiga as faculdades irregulares no Estado. O presidente da Comissão, deputado Rodrigo Novaes (PSD), acusou o gestor de falso testemunho. Ao todo, a Comissão ouviu oito representantes de organizações que, sem possuírem autorização do MEC, estariam oferecendo cursos livres com a promessa de certificar os alunos, ao final, com um diploma de graduação.

Segundo Novaes, foram verificadas contradições no depoimento do representante da Funeso a respeito do funcionamento da instituição em outros estados. Questionado inicialmente sobre o oferecimento de cursos de extensão pela entidade em cidades do Rio Grande do Norte ou da Bahia, conforme anúncios publicitários apresentados pelos deputados, o depoente negou tal existência. No entanto, em outro momento, Célio José da Costa disse que teria que verificar quantos alunos a instituição teria matriculado fora de Pernambuco.

“Diante da tentativa de dificultar o trabalho da CPI, o representante da Funeso foi encaminhado à Central de Flagrantes pela Assistência Militar da Assembleia. Tomei esta decisão para manter a ordem e seguir com o objetivo final da CPI, que é encontrar a verdade”, declarou Rodrigo Novaes. O parlamentar também determinou, para a próxima quarta (25), a condução coercitiva do representante das Faculdades Extensivas de Pernambuco (Faexpe), Thiago Gomes do Nascimento, que, pela segunda vez, não compareceu á reunião da CPI, apesar da convocação. Seu sócio, Ivani de Freitas Silva, esteve na reunião mas disse desconhecer a rotina de administração da entidade e, por isso, decidiu não se pronunciar.

Alexandre Macedo, que atua com integralização de créditos acadêmicos, testemunhou sobre uma possível relação da Uninacional – associação que representa 20 instituições de ensino superior espalhadas no país – e a Faculdade de Desenvolvimento e Integração Regional (Fadire). A suspeita é que essa última instituição ofereça cursos de extensão em Pernambuco e a Uninacional forneça, ao final, o diploma de graduação através de alguma das instituições de ensino associadas. “O presidente da Uninacional afirmou, em eventos de confraternização, que a Fadire era o braço mais forte da associação no Nordeste”, declarou.
Flávia Maria da Silva, aluna do Centro de Ensino, Pesquisa e Inovação (Cenpi) do polo de Limoeiro, disse que há quatro anos assiste a aulas semanais de um curso de Pedagogia e que, “após apresentação de trabalho de conclusão de curso, a entidade está cobrando R$ 500 para a emissão do diploma”. O representante do Cenpi, Nico Bolona, disse que a entidade não tem autorização para diplomar os estudantes, mas que possui convênio com instituições de ensino que deverão fornecer o documento. Ele, que não esclareceu quais seriam essas entidades, terá 48 horas para apresentar os convênios à CPI.

Por fim, foram ouvidos representantes do Instituto Belchior, com sede em Pombal (PB), mas que oferece cursos livres no município de Goiana (PE). “Temos um convênio com a Organização Social Evangélica das Assembleias de Deus (Osead), mantenedora de várias faculdades. É ela quem garante o diploma ao aluno no final do processo”, declarou Maria José Belchior, procuradora e mãe do diretor do Instituto.

A relatora da CPI, deputada Teresa Leitão (PT), esclareceu que os alunos não terão direito a um diploma de graduação porque a carga horária dos cursos é mínima e porque a Osead já responde a processo na Justiça Federal por irregularidades no fornecimento de diplomas. “Verificamos, nesta reunião da CPI, que existe uma rede nacional que atua com a terceirização do serviço de ensino, como uma franquia comercial que, ao final, não tem condições de oferecer o prometido diploma”, concluiu.

Fonte: Asscom/Alepe

1 Comentários:

Leinade Santos disse...

OS DEPUTADOS E A CPI DAS FACULDADES

O caso da CPI das faculdades irregulares teve início em junho de 2015 com a denúncia de cursos superiores irregulares oferecidos pela FAEXPE (Faculdade Extensiva de Pernambuco).
O caso parece ter se tornado assunto para promoção de campanha política para o deputado Rodrigo Novaes (PSD) e Teresa Leitão (PT).
Aos meus amigos alunos e estudantes, saibam que cada vez que apoiamos às ações do deputado Rodrigo Novaes e da deputada Teresa Leitão quanto tudo aquilo que venha nos prejudicar quanto alunos dos cursos de extensão, conspiramos contra o nosso próprio futuro, lesamos os nossos próprios bolsos e frustramos nossos próprios sonhos.
Não estou aqui redigindo uma apologia ou defesa à ilegalidade como mencionado pelo deputado Rodrigo Novaes quando se referiu a atuação do Ministério Público do Estado ao este se pronunciar preocupado com os cidadãos de bem e alunos da FAEXPE para serem dados prosseguimentos dos estudos por meio da faculdade Anchieta, pronunciou o deputado: “É a formalização da ilegalidade”. Tenho certeza que o Sr. Dr. do MP do estado tem muito mais coerência e preocupação com os alunos do que o senhor deputado Rodrigo Novaes, pelo ao menos, até o momento presente.
Considerando que os governos não conseguem atender as demandas educacionais em nosso país, principalmente nos interiores do nordeste, onde não há internet e os cursos EAD são impraticados, onde a educação superior tradicional é economicamente inviável, onde o povo sofre e vive do bolsa família, que seja formalizado a prática dos cursos de extensão para aproveitamento de créditos por faculdades credenciadas pelo MEC que atendam a determinados parâmetros de qualidade do ensino.
Quanto aos deputados, Rodrigo Novaes e Teresa Leitão, deixo uma sugestão a ser considerada: querem ser bem votados nas próximas eleições a fim de dar continuidade aos seus projetos parlamentares e sem nenhum aluno fazer campanha contraria e ainda ser tido como super- heróis e salvador da pátria?
Medeiem junto ao MEC, considerando as questões de insuficiência da educação superior ofertada em nosso pais nos municípios desfavorecidos geográfica e economicamente, solucionar a questão em pauta, formalizando os cursos de extensão praticados por faculdades credenciadas pelo MEC com exigências mínimas de qualidade para aproveitamento de créditos. Uma ideia seria o que esta sendo atualmente proposto pela FADIRE.
Espero ter colaborado
Abraços a todos!

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