segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Cineteatro: Reinaugurado há 4 anos, Polytheama segue sem programação permanente

Depois de passar por reforma de R$ 1,2 milhão, o equipamento cultural passa quase despercebido pela população de Goiana, na Mata Norte pernambucana

No vai e vem das motocicletas que transitam pela Avenida Marechal Deodoro da Fonseca, no centro do município de Goiana, na Mata Norte de Pernambuco, um equipamento público centenário passa quase despercebido. O Cineteatro Polytheama, apesar de papel inerente de catalisador cultural, sofre com a falta do sentido de pertencimento dos moradores da cidade. No domingo passado (9), a Mostra Canavial de Cinema exibiu lá o filme Brasil S/A, de Marcelo Pedroso. No entanto, enquanto projeção pontual, a projeção não foi suficiente para fazer com que os transeuntes daquela via tomassem o lugar de espectadores.

Teaser de Brasil S/A:
Se o público não vai ao cinema, o cinema bem pode ir aonde o público está. Esta parece ser uma das premissas da Mostra Canavial. A Praça Treze de Maio, no Centro de Goiana, foi o local que a produção do evento escolheu para exibir seus dois programas de curtas. No meio do caminho, tinha uma tela de cinema e umas dezenas de cadeiras, convidando os passantes a se acomodarem. A mostra oficial – compreendida pelos programas Do canavial para o mundo, na sexta-feira, e Do mundo para o canavial, no sábado –, ampliaram os horizontes dos moradores da Mata Norte. O tema Direitos Humanos é o fio condutor desta edição da mostra.
Foto: Ernesto Rodrigues/Divulgação
Os debates, de teor tímido, ocorridos ao final de cada sessão, atestaram o quanto é importante que o cinema não fique só no entretenimento. Entretenimento que, aliás, na cidade é resumido. Embora recentemente tenha havido um aumento na população por conta da abertura de fábricas relacionadas à indústria automobilísticas que se instalaram na região, as ofertas de lazer continuam as mesmas. “O entretenimento de Goiana, desde que eu cheguei, é futebol; queira ou não queira, cachaça, que o pessoal se diverte com isso; e a missa”, conta o técnico em segurança do trabalho Ricardo Lopes, de 62 anos.

Foi a esposa dele, a artesã Valéria Vanderley, 58, quem o convenceu a ir à mostra. Olhando as cadeias vazias, percebeu a ausência de público. “Um evento desse, em plena praça pública, e não ter ninguém. É uma pena que o público da cidade não esteja acostumado com isso”, coloca.

Voltando ao Polytheama: em mais uma exibição, no domingo, a sala ficou vazia, de novo; os bares vizinhos a ela, quase cheios. “Temos um cinema totalmente restaurado, equipamento otimizado, mas não tem conteúdo”, lamenta Caio Dornelas, idealizador e coordenador técnico da Mostra Canavial de Cinema. “Ele não tem uma programação em cartaz permanente, não funciona para a formação de público para o cinema nacional, não está a serviço da cultura da região. O espaço é uma arma em potencial que não está se fazendo usar”.

Veja entrevista com Caio Dornelas:

Por iniciativa da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), o Cineteatro Polytheama foi reinaugurado, em 2010, após uma reforma que custou R$ 1,2 milhão. O Governo do Estado compartilha a administração do equipamento com a Prefeitura de Goiana. De acordo com a gestão municipal, o tecido cultural da cidade foi convocado a montar uma agenda permanente de atividades artístico-cultural no Polytheama e, pelo menos, a cada mês, um evento acontece no local.
No sábado (15), por exemplo, se apresentaram no local as cantoras Jaína Élner e Cristina Amaral, em homenagem ao aniversário e ao compositor goianense Aciolli Neto.

Já a Mostra Canavial de Cinema segue a maratona da Mata Norte no município de Tracunhaém. No domingo (16), foi exibido a mostra oficial de curtas. A banda Tercina se apresentou depois da sessão, no encerramento. As exibições ocorreram na Praça Costa Azevedo (em frente ao Centro de Artesanato). A itinerância segue até o dia 23, com previsão de passar pelas cidades de Vicência, Carpina e Nazaré da Mata.

Por Karol Pacheco/Jornal do Commercio

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